terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Vergonha do Wárti!

REINALDO AZEVEDO, O Rola-Bosta, está doente? Vejam o que ele escreveu: ‘Vergonha do Wárti!’ Bretas, monumento moral, e sua mulher, também juíza, recebem auxílio-moradia 2 vezes. Palmas pra eles! Por: Reinaldo Azevedo Pois é… Conhecem aquela piada “Ai, que vergonha do Wárti?” Não! Procurem saber. Não dá pra contar aqui. Um dos paladinos da moralidade nacional é o juiz Marcelo Bretas, não é? Ele é, assim, uma versão um pouco mais, como posso dizer?, “pão com ovo” de Sérgio Moro, o caviar da classe média furibunda com tudo, todos e mais um pouco… Tenho cobrado aqui que os meritíssimos que parecem ser dotados de uma moral muito acima da mediana; que parecem estar, nessa matéria, muito mais avançados do que o povo brasileiro; que parecem ter-se transformado numa cornucópia de decências, se manifestem, por exemplo, contra o auxílio-moradia e outros penduricalhos salariais. O Poder Judiciário é o mais bem-aquinhoado por salários estratosféricos. Mas os senhores juízes não querem saber, não. Aliás, o Poder Judiciário está na raiz da resistência à reforma da Previdência, como sabe a ministra Cármen Lúcia, aquela que decidiu impedir a posse de Cristiane Brasil no Ministério do Trabalho justamente para criar embaraços adicionais à dita reforma. Mas voltemos a Bretas, um dos patriotas do nosso tempo, cavaleiro sem mácula dos veículos do grupo Globo. Como sabem, ele tem nas mãos um troféu que, a cada pouco, rende safra nova de notícias: chama-se Sérgio Cabral. Como a biografia do objeto de seu desvelo às avessas não ajuda, ele vai surfando na onda! Como esquecer que tentou punir Cabral apenas porque este lembrou que a família do juiz atuava no ramo de bijuterias, uma informação pública? O doutor viu na coisa uma grave ameaça. Juiz Bretas, terceiro a partir da esquerda, quando foi aprender a usar um fuzil. Por quê? Será que melhora sua capacidade de julgar? Muito bem! A Folha revela um troço do balacobaco na coluna “Painel”. O doutor não recebe apenas um auxílio moradia, mas dois. Explica-se: sua mulher também é juíza. Embora eles morem juntos, acumulam os ganhos. Pensem com Tio Rei: ainda que doutor Bretas não tivesse imóvel próprio — e, que eu saiba, ele tem —, se o ”auxílio-moradia” fosse “auxílio-moradia”, e não aumento disfarçado de salário, bastaria ao casal receber a grana uma vez, certo? Mas não… Cada um leva o seu. Em nome da moral e dos bons costumes, suponho. Como o glorioso ministro Luiz Fux, do STF, estendeu o auxílio a todos os juízes e procuradores — uns 30 mil privilegiados, mais ou menos —, o CNJ resolveu disciplinar a matéria e proibir que casais recebessem o benefício em dobro. O doutor recorreu contra a decisão, alegando que a proibição do recebimento em dobro feria a Lei da Magistratura. E ganhou a causa, ora vejam! Sabem, né? Quem tomou a decisão final também recebe auxílio-moradia… Quase quatro anos depois de Fux ter estendido o vergonhoso privilégio a todos os juízes e membros do Ministério Público, o pleno do Supremo, finalmente, vai se debruçar sobre a questão. A votação está prevista para março. O tal “auxilio”, pago a mais ou menos 18 mil juízes e pelo menos 13 mil membros do Ministério Público, incluindo os respectivos membros dos MPs estaduais, é de R$ 4.377,73 mensais. A festa custa, por mês, aos cofres públicos R$ 135.585.630,00. Por ano, estamos falando da bagatela de mais R$ 1,6 bilhão. Estima-se que R$ 1,4 bilhão sejam consumidos com profissionais que têm imóvel próprio na praça em que trabalham. Em três anos, R$ 4,2 bilhões! É bem mais do que a Lava Jato conseguiu recuperar até agora, não é mesmo? E é preciso lembrar que há ainda o auxílio-saúde — 10% dos vencimentos —, o auxílio-livro, o auxílio-especialização, o vale-lanche, o auxílio-creche e vai por aí… Sem contar, por óbvio, a aposentadoria integral. A associações de juízes e os membros do MP estão mobilizados, diga-se, contra a reforma da Previdência e contra o fim do auxílio-moradia. Nos dias que correm, no entanto, essas duas categorias sequestraram o imaginário de boa parcela dos brasileiros e ​p​osam de vestais da moralidade pública, da bondade e da virtude. Já os políticos, eleitos pelo povo, se transformaram nas Genis do Brasil. Bem, aqui se diz tudo. É o único jeito decente de exercer esta profissão, não é mesmo?

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