terça-feira, 17 de outubro de 2017

Carta de Temerda aos Deputados Mostra seu Desespero

Tereza Cruvinel em 16/10/2017

A carta de Michel Temer aos deputados é uma confissão de desespero, um sinal de que a situação na Câmara realmente piorou muito para ele com a delação de Lúcio Funaro. Ao dirigir-se apenas aos parlamentares, que votarão contra ou a favor da aceitação da segunda denúncia de Rodrigo Janot, Temer revela mais uma vez seu profundo desprezo pelo povo brasileiro, que não mereceu qualquer palavra sua sobre os crimes de que é acusado – obstrução da Justiça e formação de organização criminosa. Os cidadãos não participarão da votação na Câmara, mas em nome deles é que os deputados vão votar. Entretanto, ele se dirige apenas ao “prezado parlamentar”.

Temer se lamuria, denuncia uma conspiração para derrubá-lo da Presidência, ataca Janot, Marcello Miller e Lucio Funaro e apoia-se em Eduardo Cunha, destacando ter ele dito em entrevista que não teve o silêncio comprado por Joesley Batista. Chega a solidarizar-se com Cunha, dizendo que ele teve a delação recusada porque se recusou a falar contra ele, Temer. Como diria Joesley, Temer e Cunha “estão de bem”. Mas sobre organização criminosa, nenhuma palavra. Nada sobre as propinas que Funaro o acusou de ter recebido, em negócios que envolveram outros caciques do PMDB, na área de portos, na CEF, na Ministério da Agricultura.

Simulando otimismo, apesar do esperneio desesperado, Temer afirma que “as urdiduras conspiratórias estão sendo expostas. A armação está sendo desmontada”. E parte para a glorificação de seu governo, dizendo que foi seu esforço, com apoio do Congresso, que permitiu a retomada do crescimento. Que crescimento? O mercado subiu hoje sua previsão para este ano de 0,70 para 0,072%, e o ano está acabando.

E tome lorota. “Fomos capazes de liberar as contas inativas do FGTS e agora de antecipar as idades para percepção do PIS/Pasep. Tudo isso tem um significado: impedir o aumento de preços, valorizar o salário e melhorar a vida das pessoas!” Mas para liberar contas inativas, cujos saldos pertencem ao trabalhador, não é preciso ser capaz, basta ter poder e uma caneta. Já a redução da idade para saque do PIS-Pasep é uma grande empulhação que já denunciei, mas ninguém foi conferir. O que Temer fez foi trancar os recursos dos aposentados, que antes de sua MP de agosto podiam sacá-los livremente, e agora só poderão fazê-lo a partir de 17 de novembro. Os que poderão sacar antes dos 70 anos (65 anos/homem e 62/mulher) só farão isso no finalzinho de dezembro.

Na lorotagem, ele recorda o aumento que deu ao Bolsa Família quando tomou posse, mas não fala dos mais de 1,5 milhão de famílias que foram excluídas. Mente, dizendo que zerou a fila dos que queriam ingressar no programa. Mente ao dizer que nenhum programa social foi eliminado ou reduzido. E a redução dos convênios do Farmácia Popular? E o encolhimento do Fies, do Ciência sem Fronteiras e do Minha Casa/Minha Vida? E as restrições ao combate ao trabalho escravo?

Temer termina a carta professando crença na pacificação dos brasileiros, no diálogo, na solidariedade. Palavras vazias, que não têm a menor base na prática de seu governo perseguidor.

Mas ela teve sua utilidade, se não para garantir votos, pelo menos para mostrar seu desespero e sua capacidade de mistificar.

A Demissão no BRICS

A demissão de Paulo Nogueira do Banco dos Brics, por ele mesmo

POR FERNANDO BRITO · 17/10/2017

Abstive-me de comentar a demissão de Paulo Nogueira Batista Jr do cargo de diretor brasileiro do Banco dos Brics antes que ele próprio o fizesse. Não acho ético falar sobre o rompimento de um contrato de trabalho se o personagem ainda não disse como e porque ela aconteceu, ainda que, desde o golpe, se tivesse a certeza de que o governo ilegítimo brasileiro não o queria lá.

E não o queria porque Batista é um desenvolvimentista, um homem que alimenta a crença num crescimento harmônico e distributivista de nosso país e que tem coragem de dizer que a “turma da bufunfa” – expressão genial que criou para os donos do dinheiro que, ao contrário, pensam em políticas predatórias e de ganho rápido.

No fundo, afinal, é este o sumo do embate político-econômico do Brasil: crescimento estrutural e com justiça social progressiva (e não apenas prometida) ou predação colonial, financeira inclusive.

Por suas convicções, Batista vai acumulando “saídas” dos lugares onde foi parar pela capacidade como economista e pela sinceridade como cronistas: a Folha, o FMI e agora o Banco dos Brics.

Hoje, na Folha, ele conta a história de sua saída, obra de homens que querem um Brasil miúdo, atrasado, capacho. Registro, abaixo, na esperança que , agora, livre das peias que o cargo impunha, ele possa dividir mais conosco suas ideias políticas e econômicas.

Minha demissão do banco dos Brics foi
politicagem, diz Paulo Nogueira
Demitido na semana passada do NBD (Novo Banco de Desenvolvimento), o banco dos Brics, Paulo Nogueira Batista Jr., 62, se diz vítima de “politicagem”.

Em entrevista por e-mail à Folha, como solicitado pelo entrevistado, o economista afirma que limitou-se “a comentar o processo de impeachment”, sem fazer críticas ou elogios à ex-presidente Dilma Rousseff (que foi quem o indicou ao cargo) ou ao sucessor, Michel Temer.

Batista Jr. foi desligado da vice-presidência do banco após um processo interno concluir que ele quebrou as normas ao escrever artigos críticos à política interna do Brasil. Além disso, ele foi acusado de assédio moral por um funcionário brasileiro.

Em artigo de abril do ano passado, o economista escreveu que “impeachment sem configuração de crime de responsabilidade ou de crime comum é golpe”.

“Os defensores do impeachment não estão invocando crime comum. É preciso verificar, então, se têm base as alegações de crime de responsabilidade”, afirmou.

Em julho deste ano criticou a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz Sérgio Moro. “O juiz bateu recordes de desfaçatez”, escreveu.

Segundo Batista Jr., as investigações foram “enviesadas e viciadas, atropelando procedimentos”.

“Por trás de toda história, estava a tentativa de encontrar meios de me acusar de quebra do código de conduta para permitir meu afastamento. Politicagem.”

Procurado, o Ministério da Fazenda informou que não iria comentar. Já o Banco Central afirmou, em nota, que se “trata de assunto interno” do banco dos Brics.

“A demissão foi aprovada pela diretoria da instituição, que é autônoma, e referendada por unanimidade pelos membros do conselho.”

Folha – Acha que foi injustiçado?

Paulo Nogueira Batista Jr – A demissão foi injusta e irregular. Por motivos não inteiramente claros —não quero fazer conjeturas—, alguns integrantes do governo brasileiro, especificamente o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e um assessor do ministro [Henrique] Meirelles, Marcello Estevão, decidiram encontrar formas de me afastar e pressionaram o presidente do NBD, KV Kamath, que não se destaca pela firmeza ou coragem, a iniciar investigações contra mim. Eu tinha mandato e contrato. Só poderia ser afastado, se rompesse o meu contrato.

Como não havia base ou motivo para argumentar que eu havia desrespeitado o contrato ou o código de conduta, o banco acabou dando um mergulho na arbitrariedade. As investigações foram conduzidas de forma enviesada e viciada, atropelando procedimentos e desrespeitando o vice-presidente brasileiro.

O argumento do NBD é que o sr. desrespeitou normas de conduta do banco ao fazer críticas à política do Brasil.

Não fiz críticas à política interna do Brasil. Nos artigos que publiquei jamais fiz qualquer crítica ao governo Temer ou ao governo Dilma, tampouco fiz elogios. Isso porque uma das obrigações estabelecidas pelo código de conduta do NBD é manter a neutralidade política.

Escrevi poucos artigos sobre a situação política e econômica do Brasil nesses dois anos em que estive na China.

Em um dos artigos que foram considerados impróprios comentei o processo de impeachment então em curso, limitando-me a discorrer sobre os requisitos constitucionais para o impeachment.

O sr. foi indicado pelo Brasil ao NBD. Mesmo sem a missão de ser o representante brasileiro no banco, não excedeu seu mandato ao criticar o chefe do Estado que representa?

Desafiei o advogado que havia sido contratado pelo NBD para investigar os meus artigos —e que me acusava de parcialidade política— a mostrar um exemplo de crítica ao governo Temer ou elogio ao governo anterior. Ele ficou sem resposta.

Cogitou entregar o cargo após o impeachment?

Não. Eu estava muito empenhado no projeto do banco, trabalhando de 9h às 21h todo os dias.

O NBD é uma instituição potencialmente muito importante, pois poderá ser em quatro ou cinco anos um dos maiores bancos multilaterais do mundo, com capital que pode chegar a US$ 13 bilhões se entrarem novos
membros. O Banco Mundial tem US$ 16 bilhões em capital.

Não se deve perder de vista que o NBD é a primeira instituição financeira multilateral, de alcance global, desde Bretton Woods, quando foram criados o FMI e o Banco Mundial. As que foram criadas depois são de âmbito regional ou sub-regional.

Meu envolvimento com o projeto é anterior à criação da instituição, já na fase de negociação do banco e do fundo monetário dos Brics. Participei do processo de cooperação dos Brics desde o início, em 2008. Era um investimento pessoal grande, não tinha por que renunciar.

Quando esteve no FMI, sua opinião provocou controvérsia quando criticou o pacote de austeridade grego.

Eu não tenho receio de ficar isolado. Em certos momentos, eu fui o único dos 24 diretores-executivos do FMI que discordou do programa de austeridade grego —que era um massacre para a Grécia. Acredito que o tempo deu razão aos que, como eu, criticaram desde o começo.

Chegou a tecer opiniões críticas aos demais membros do NBD? A política econômica chinesa desagrada o setor produtivo brasileiro.

Não fiz críticas a outros países-membros. Nos meus dois anos e pouco na China, a minha admiração pelo país só fez crescer. É um país que tem coesão e rumo —coisas que fazem falta ao Brasil. A China é a grande âncora do NBD. Se o banco fracassar, não será por falta de apoio do país hospedeiro.

O sr. é acusado de assédio moral por funcionários.

Eu recomendei a demissão de um funcionário brasileiro que tinha desempenho muito fraco. Ele foi instado a prestar uma queixa de assédio moral e retaliação. A queixa não tinha base, mas serviu para sustar a demissão dele.

A acusação decorre de divergências na indicação de um funcionário. A equipe técnica discordou de seu parecer.

Havia um painel de entrevista para selecionar um profissional para a área de estratégia. O funcionário brasileiro cuja demissão recomendei discordou da minha preferência para a escolha.

Passaram a alegar que eu havia recomendado a sua demissão por mera retaliação. Mas o problema real era o desempenho pífio daquele funcionário.

Por trás de toda essa história, estava a tentativa de encontrar meios de me acusar de quebra do código de conduta para permitir o meu afastamento. Politicagem, em resumo.

O sr. também acusa o presidente do NBD de assédio, poderia relatar o que ocorreu?

Não foi acusação por assédio, foi por quebra da neutralidade política. Estavam me acusando de quebrar a neutralidade política em alguns artigos. Ao me defender dessa acusação, eu mostrei que o presidente do banco, que é indiano, tinha claramente quebrado o código de conduta em entrevistas à imprensa da Índia. Chegou a declarar-se um devoto seguidor do primeiro-ministro. Eu perguntei, com ironia, isso é manter neutralidade política?

Vai tentar algum tipo de recurso para receber uma indenização do banco devido ao seu desligamento antecipado?

Não sei se tenho essa possibilidade. Voltarei ao Brasil

Volte, Paulo. A partir de 2018 precisaremos de gente como você para reerguer este gigante ajoelhado.

Alexandre Frota e a Justiça às Avessas

Por Frei Betto

O ator de filmes pornô, Alexandre Frota, declarou em programa de TV, em 2015, que estuprou uma mãe de santo até ela desmaiar. Como era de se esperar, Eleonora Menicucci, então à frente do Ministério das Mulheres, repudiou a apologia ao crime.

Em maio de 2016, o ministro da Educação do governo Temer, Mendonça Filho, recebeu em audiência Alexandre Frota, para ouvir propostas para a educação básica e defender o projeto “Escola sem partidos” (exceto os conservadores).

Em nota na Folha de S. Paulo, Eleonora Menicucci declarou: "Lamento, como ex-ministra e cidadã, que o ministro golpista Mendonça Filho tenha recebido, como primeira pessoa da sociedade civil, um homem que foi à TV e fez apologia do estupro. Fico muito preocupada com a educação de nossa juventude, e lamento muito."

Alexandre Frota decidiu, então, processar a ex-ministra por danos morais. Pediu R$ 35 mil de indenização. Em setembro de 2016, na audiência de conciliação, ele sugeriu que ela pedisse desculpas, o que não foi aceito.

Em maio deste ano, a juíza de primeira instância, Juliana Nobre Correia, emitiu sentença condenando Eleonora Menicucci a pagar R$ 10 mil a Frota, alegando que ela ultrapassara o limite da crítica.

Em agosto, teve início o julgamento do recurso em segundo instância, e a relatora, Fernanda Melo de Campos Gurgel, proferiu voto a favor da juíza que condenara a ex-ministra.

Que país é este em que mulheres defendem quem faz apologia do estupro e condenam quem ergue a voz em prol da dignidade das vítimas; juízes repassam ao Congresso Nacional, repleto de corruptos, o direito de julgar seus pares; um rapaz é preso acusado de traficante por ser pobre e estar bem vestido e, em seguida, sua mãe é assassinada por policiais do Bope-Rio por defender o filho? Que país é este no qual dois amigos do presidente são flagrados com malas de dinheiro; Temer recebe na calada da noite o dono da JBS que confessou ter corrompido quase dois mil políticos; e tudo fica como dantes no quartel de Abrantes?

Talvez os olhos vendados do símbolo da Justiça não representem isenção nos julgamentos, e sim vergonha por tantas inversões judiciais. Bem recomenda Chico Buarque: “Chame o ladrão... chame o ladrão...”



* Frei Betto é escritor, autor de “Batismo de Sangue” (Rocco), entre outros livros.

Geddel Some da TV e o Irmão Foge da Internet

Por Altamiro Borges

Na quinta-feira (12), a revista Época postou uma curiosa matéria sobre o irmão de Geddel Vieira, um dos homens de confiança de Michel Temer que está na cadeia. Diz a notinha bem minúscula: “Os seguidores do deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) nas redes sociais sentem falta de suas postagens descontraídas. Ele está sumido há mais de um mês. O sumiço coincide com a apreensão de R$ 51 milhões em um apartamento atribuído, pela Polícia Federal, a seu irmão, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, no dia 5 de setembro, em Salvador. Geddel está preso na Papuda, em Brasília. A sua última postagem pública foi no Twitter no 8 de setembro, quando discutiu com um seguidor que o provocou sobre as malas de dinheiro”.

A revista da famiglia Marinho, que ajudou a alçar ao poder a quadrilha de Michel Temer, poderia aproveitar para também ironizar o sumiço do próprio Geddel Vieira Lima e de outros membros da máfia palaciana. Os bandidos golpistas sumiram da mídia chapa-branca. Não são mais capa de jornal ou de revista e nem motivo de ácidos comentários dos “calunistas” da rádio e da tevê. Como já ensinou o mestre Perseu Abramo, a manipulação midiática se dá principalmente através da omissão e realce. Diariamente, a velha imprensa ataca o ex-presidente Lula, mesmo sem apresentar provas. Já os bandidos que tomaram de assalto o poder, com a inestimável ajuda da mídia falsamente moralista, simplesmente somem do noticiário.

Em um recente evento de professores em Brasília, um jovem ativista expôs a sua indignação diante da cena da apreensão de R$ 51 milhões no “bunker” de Salvador, mas confessou sua ignorância: “Como era mesmo o nome do deputado? Ele era de que partido? Eu não me lembro”. Esse desconhecimento é fruto típico da manipulação midiática, que evita realçar o que não lhe interessa. Na ocasião, lembrei que vários outros integrantes do covil golpista também já foram “esquecidos” pelos “competentes” jornalistas investigativos da chamada grande imprensa. A lista do “quadrilhão” de Michel Temer é imensa. Vale relembrar alguns nomes:

- Romero Jucá. Senador pelo PMDB de Roraima e atual presidente nacional da legenda, ele é um dos chefes do governo corrupto. Após articular o criminoso processo de impeachment de Dilma Rousseff, ele virou ministro do Planejamento de Michel Temer. Só caiu após o vazamento do áudio em que confessava que o objetivo principal do golpe seria “estancar a sangria” das investigações sobre corrupção no país. Romero Jucá é alvo de 14 inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), mas segue impune no parlamento e blindado pela mídia chapa-branca.

- Eliseu Padilha. Velho cacique do PMDB, ele é considerado o “braço direito” do golpista e ocupa o cargo estratégico de ministro-chefe da Casa Civil. Segundo recente matéria da Folha, “ele é avaliado como o aliado mais fiel do presidente, de uma ‘obediência quase cega’”. Foi denunciado por delatores da Odebrecht como autor dos pedidos de dinheiro para campanhas do partido. É alvo de dois inquéritos no STF. Na segunda denúncia apresentada pelo ex-procurador geral da República, Eliseu Padilha aparece como um destacado integrante da “organização criminosa” comandada por Michel Temer.

- Moreira Franco. Também apelidado de “gato angorá”, ele é um dos principais estrategistas do covil golpista, sendo responsável pelo bilionário Programa de Parceria de Investimentos (PPI). Participa de todas as decisões governamentais, inclusive das escolhas políticas para a composição de cargos. Moreira Franco é alvo de duas investigações no STF e também foi denunciado pela PGR sob a acusação de organização criminosa. Recentemente, ele foi nomeado como ministro como uma forma de lhe garantir imunidade. A mídia venal, que fez o escarcéu quando da indicação de Lula para o ministério, evitou dar manchetes contra o “gato angorá”.

- Rodrigo Rocha Loures. O ex-deputado é considerado um dos principais “operadores” de Michel Temer, tendo recebido a tarefa de fazer a interlocução com poderosas empresas e sinistros lobistas. Foi ele quem fez a ponte com Joesley Batista, o chefão da JBS. Filmado carregando uma mala de dinheiro, ele foi denunciado pela PGR sob a acusação de corrupção passiva, tendo sido preso e solto logo em seguida. Em setembro passado, ele também foi acusado de pertencer a “organização criminosa” chefiada pelo Judas.

- José Yunes. Amigo íntimo do golpista, o advogado e empresário é um dos seus principais conselheiros políticos. Chegou a ocupar o posto de assessor especial da Presidência, mas pediu demissão após ter o seu nome citado por delatores da Odebrecht. Atua na penumbra como “investidor” de Michel Temer.

- Tadeu Filippelli. Ex-vice-governador do Distrito Federal, ele foi assessor especial do gabinete pessoal de Michel Temer, fazendo a interlocução com parlamentares e empresários. Foi preso em maio passado sob a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro no escândalo envolvendo a construção do estádio Mané Garrincha, em Brasília. Mas logo ganhou a liberdade e sumiu do noticiário.

- Coronel João Batista Lima. É amigo do usurpador desde os anos 1980, quando o assessorou na Secretaria de Segurança Pública do governo de São Paulo. Sua fazenda no interior paulista era o “bunker” de Michel Temer. Ganhou contratos milionários com o governo nos últimos anos. Segundo as delações dos executivos da JBS, o sinistro “coronel Lima” recebeu R$ 1 milhão em dinheiro não contabilizado para as campanhas do golpista. Ele também é suspeito pela realização de obras na casa da filha de Michel Temer.



- Henrique Eduardo Alves. Outro esquecido pela mídia venal na cadeia, o ex-líder do PMDB na Câmara Federal ficou responsável no covil golpista pela distribuição de cargos em estatais e ministérios. Em troca, segundo denúncia da PGR, ele recebia propina. Ex-ministro do Turismo, Henrique Alves foi preso em junho passado sob a suspeita de ter recebido R$ 7,1 milhões de empreiteiras.

O Preço do Impeachment e o Valor do STF

Por Jeferson Miola

Lúcio Funaro adicionou novas informações sobre o preço que Cunha, Temer, Padilha, Geddel e outros golpistas peemedebistas e tucanos pagaram para a aprovação do impeachment fraudulento.

O operador da organização criminosa revelou que Eduardo Cunha lhe pediu R$ 1 milhão para comprar o voto de alguns deputados a favor da fraude, quando o processo já tramitava na Câmara.

Além deste valor, e antes disso, outras dezenas de milhões de dólares foram investidas na conspiração que derrubou a Presidente Dilma – sabe-se hoje, uma cifra bastante superior àquela “sobra”/“troco” de R$ 51 milhões guardados num apartamento pelo ex-ministro Geddel:

- na eleição de 2014, boa quantia de dinheiro arrecadado [legalmente, via caixa 2 ou propina] pelo banco de corrupção de políticos foi apostado na compra da eleição de uma numerosa bancada anti-Dilma na Câmara.

- outra montanha de dinheiro foi investida na compra dos votos de deputados para elegerem Eduardo Cunha à presidência da Câmara – passo que se demonstrou essencial na evolução da trama conspirativa e no funcionamento da engrenagem golpista.

Qualquer que seja o ângulo de observação da realidade chega-se à conclusão que o impeachment foi uma das mais burlescas farsas políticas da história do Brasil: [1] faltou-lhe fundamentação fática, legal e constitucional; porque não existiu e nunca foi demonstrado crime de responsabilidade, e [2] a maioria composta por 367 deputados que aprovaram a farsa em 17 de abril de 2016 foi comprada.

É notório que o impeachment só prosperou porque a Suprema Corte foi condescendente com esta farsa – ou cúmplice, na visão de alguns analistas.

Sobraram motivos, alegações e pedidos para que o STF interrompesse aquela violência perpetrada contra o Estado de Direito, porém os 11 juízes simplesmente lavaram as mãos, permitindo que o mandato conferido a Dilma por 54.501.318 votos fosse usurpado pela cleptocracia que tomou de assalto o poder.

Com obscurantismo jurídico, o STF se recusou a analisar o mérito do impeachment; optou por não se pronunciar quanto à absoluta inexistência de fundamentos jurídicos para o pedido acolhido pelo então presidente da Câmara em dissonância com a Constituição e as Leis do país.

Hoje sobram razões para se anular o golpe de 2016. Ao que tudo indica, todavia, mesmo com o robustecimento das provas, evidências e indícios da compra da maioria parlamentar que aprovou a fraude do impeachment, a Suprema Corte continuará onde sempre esteve: condescendente – ou cúmplice – com o golpe.

O preço do impeachment é conhecido, assim como é sabido o valor desprezível do STF na preservação da democracia e do Estado de Direito.



O sistema político-jurídico está inteiramente apodrecido. Além de eleições limpas para restaurar a democracia, é urgente uma Assembléia Nacional Constituinte com prioridade nas reformas política, tributária, do judiciário e para a democratização da comunicação e da informação pública.

Lava-Jato Paga Propina Milionária à Mídia

Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

A entrevista do consultor Mario Rosa já foi reproduzida em vários sites. Eu tinha que dar um título mais impactante, e ao mesmo tempo mais verdadeiro, porque é disso que se trata. Rosa faz uma denúncia óbvia, que está a vista de todos.

Imagina se o Ministério do Desenvolvimento “vazasse” informações sobre comércio exterior apenas para jornalistas que falassem bem do governo? Não seria um escândalo? Não seria considerado corrupção?

A Lava Jato usa informações públicas para corromper jornalistas. Estes só continuam a receber furos, e um furo é a moeda mais valiosa do jornalismo, caso eles continuem a servir à narrativa do Estado, ou melhor, à narrativa da própria Lava Jato.

Ou seja, é propina.

Uma propina muito maior e muito mais imoral que os milhões que Lucio Funaro diz ter dado a Eduardo Cunha para que este “comprasse” o impeachment.

Mas com o mesmo objetivo: a Lava Jato foi uma operação montada para derrubar o governo Dilma e empossar um outro regime, de ordem neoliberal, servil aos interesses das corporações norte-americanas.

Por isso a operação e, sobretudo, Sergio Moro, recebem tantos prêmios nos Estados Unidos.

Só não entendo porque Donald Trump ainda não recebeu Moro no salão oval da Casa Branca, e ainda não lhe entregou uma medalha de heroi da pátria, depois de tudo que o juiz fez em prol da “terra dos livres e lar dos bravos”.

A Lava Jato girou, desde o início, em volta de propinas.

Todos os prêmios que recebeu, por exemplo, são propina. E os “furos” da Lava Jato idem.

A Lava Jato é a ação judicial mais corruptora e corrompida da história do país.