sábado, 16 de dezembro de 2017

Ex-Chefe da CGU Inocenta Lula

Ex-chefe da CGU inocenta Lula e diz na cara de Moro: Lula afastou 5000 servidores por corrupção e criou controladorias
O combate à corrupção e a atuação independente dos órgãos de controle interno e externo do poder Executivo tiveram um crescimento inédito durante o governo de Luiz Inácio Lula da SIlva (2003-2010). Foi isso que disse o jurista Jorge Hage Sobrinho, que chefiou a Controladoria Geral da União (CGU) de 2006 a 2015. Hage testemunhou na manhã desta terça-feira (7) em processo que corre na 13ª Vara Federal de Curitiba, em que o ex-presidente Lula é um dos acusados pelos procuradores da Operação Lava Jato.

Em audiência conduzida pelo juiz de primeira instância Sérgio Moro, o jurista falou dos avanços no combate à corrupção ao longo do governo Lula, como a criação do Portal da Transparência, que torna público e acessível dados referentes a gastos governamentais, e a Lei do Acesso à Informação (esta aprovada já no governo Dilma), que normatiza o fornecimento de informações governamentais a qualquer órgão de imprensa ou cidadão que tenha interesse em buscá-las.

O ex-chefe da CGU disse que, graças ao fortalecimento do órgão que comandava, foi possível realizar um trabalho de fiscalização que acabou por levar ao afastamento de 5.000 funcionários da administração pública que praticaram atos ilícitos, além da aplicação de outras sanções administrativas a servidores que cometeram irregularidades menores.

“O que nós tínhamos de combate à corrupção antes de 2003?”, indagou Hage, ressaltando que, muito embora a Constituição Federal de 1988 tenha criado as bases para um plano formal de combate à corrupção, foi só a partir do governo Lula que efetivamente implantou-se um esforço sistemático e organizado para colocá-lo em prática.

Como exemplos, ele citou a autonomia prática da qual passou gozar o Ministério Público, o ganho de estrutura da Polícia Federal e sua maior capacitação, com a criação da ENCCLA (Estratégia de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro).

Além disso, elencou a testemunha, foram criadas corregedorias setoriais que dão conta dos processos administrativos e de investigações de convênios com municípios via sorteio, onde a CGU trabalhou junto com o Ministério Público. Segundo Hage, os méritos e inovações dos avanços no combate à corrupção foram reconhecidos internacionalmente por instituições como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e mesmo o governo dos Estados Unidos, que convidou o Brasil a participar junto com eles de iniciativa de governo aberto. “Um trabalho renovador e inovador reconhecido internacionalmente”, resumiu o ex-chefe da CGU.

“Nunca, em momento algum, houve qualquer tipo de interferência de Lula na CGU. Tivesse havido, eu eu não teria seguido. Nunca houve nenhuma tentativa de interferir nesse trabalho. Ele referendava nossas propostas (de combate à corrupção) e enviava ao Congresso. Projetos contra o enriquecimento ilícito, aumento das penas por corrupção e contra a corrupção empresarial foram enviados por ele ao Congresso Nacional em 2010, além da assinatura dos decretos que não dependiam do Congresso. Eram iniciativas propostas por nós (CGU) e aceitas pelo presidente Lula”, contou o jurista.

“Lula deu total, absoluta e plena liberdade ao combate à corrupção. E, pelo que sabemos pela convivência, também à Polícia Federal, e mesmo o Ministério Público, que é autônomo, essa autonomia se tornou muito mais efetiva quando Lula passou a escolher os procuradores eleitos pelos seus pares. Muito diferente do sistema anterior onde o procurador era escolhido diretamente e foi reconduzido quatro vezes seguidas”, concluiu Hage.

Recibos São Autênticos

DEPOIMENTOS CONFIRMAM QUE RECIBOS SÃO AUTÊNTICOS E QUE IMÓVEL NÃO É DE LULA'

Em depoimento ao juiz Sérgio Moro nesta sexta-feira, 15, o contador João Muniz Leite reforçou que todos os recibos com quitação de aluguel do apartamento vizinho ao que Lula mora em São Bernardo do Campo foram emitidos pelo proprietário do imóvel, Glaucos da Costamarques; Costamarques, por sua vez, atestou que assinou os recibos de locação emitidos em favor de dona Marisa e que não houve emissão de todos os recibos de uma só vez; "Ficou claro mais uma vez que o apartamento não é do ex-Presidente Lula e que não há qualquer valor proveniente de contratos da Petrobras relacionado ao imóvel, ao contrário do que consta na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal", disse o advogado Cristiano Zanin, que defende Lula

247 - O empresário Glaucos da Costamarques e o contador João Muniz Leite prestaram nesta sexta-feira, 15, depoimento ao juiz Sérgio Moro no âmbito de incidente de suposta falsidade sobre documentos entregues pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com o advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins, João Muniz Leite reforçou que todos os recibos com quitação de aluguel do apartamento vizinho ao que Lula mora em São Bernardo do Campo foram emitidos pelo proprietário do imóvel, Glaucos da Costamarques.

Costamarques, por sua vez, atestou que assinou os recibos de locação emitidos em favor de D. Marisa e que não houve emissão de todos os recibos de uma só vez.

"A verdade hoje confirmada pelos depoimentos é que os recibos de locação, como sempre foi afirmado pela defesa do ex-Presidente Lula, são autênticos, foram emitidos pelo Sr. Glaucos da Costamarques com declaração de quitação em favor da D. Marisa, que é prova mais plena do recebimento dos aluguéis de acordo com a lei brasileira, confirmada por outros documentos existentes nos autos, como a movimentação nas contas do proprietário envolvendo valores em espécie", diz Zanin.

Segundo o advogado, também ficou claro que o apartamento não é de propriedade de Lula, como acusa o Ministério Público Federal.

Leia, abaixo, o depoimento de Cristiano Zanin na íntegra:

O depoimento do Sr. João Muniz Leite nesta data (15/12) reforçou que todos os recibos com quitação dirigidos à inquilina D. Marisa Letícia Lula da Silva foram emitidos pelo proprietário do imóvel, o Sr. Glaucos da Costamarques, que também dirigia a ele informes sobre o recebimento de aluguéis, inclusive por e-mail. Um desses e-mails, de 2014, consta nos autos (Processo nº 5043015-38.2017.4.04.7000/PR).

Leite também sublinhou que Costamarques declarava o recebimento dos aluguéis à Receita Federal e efetuava o recolhimento dos impostos devidos, sendo um deles o carnê-leão.

Costamarques, por sua vez, atestou que assinou os recibos de locação emitidos em favor de D. Marisa e que não houve emissão de todos os recibos de uma só vez. A negativa do recebimento dos aluguéis desta vez veio acompanhada de uma nova versão dos fatos — a quinta até o momento —, segundo a qual o apartamento teria sido comprado para um parente, que lhe faria o reembolso dos valores dos impostos pagos por diversos meios, inclusive por transações envolvendo a "venda de cavalos". Alegou, ainda, de forma contraditória, que se considera o proprietário do imóvel e que faz o pagamento de todos os impostos devidos pelo recebimento dos aluguéis.

A verdade hoje confirmada pelos depoimentos é que os recibos de locação, como sempre foi afirmado pela defesa do ex-Presidente Lula, são autênticos, foram emitidos pelo Sr. Glaucos da Costamarques com declaração de quitação em favor da D. Marisa, que é prova mais plena do recebimento dos aluguéis de acordo com a lei brasileira, confirmada por outros documentos existentes nos autos, como a movimentação nas contas do proprietário envolvendo valores em espécie. Também ficou claro mais uma vez que o apartamento não é do ex-Presidente Lula e que não há qualquer valor proveniente de contratos da Petrobras relacionado ao imóvel, ao contrário do que consta na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal.

CRISTIANO ZANIN MARTINS

Grande Bacanal do Pós-Impeachment

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Esta semana dei uma palestra no encontro da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior). No encontro, a mesma dúvida: qual o prazo de validade do modelo econômico e social que está sendo implementado com a tomada do poder pela organização criminosa liderada por Eduardo Cunha?

Ouso dizer que é curto.

Acompanhe o raciocínio.

Peça 1 - a legitimação de Collor e FHC​
Fernando Collor ganhou a presidência por mérito próprio, por ter entendido, antes dos demais candidatos, os novos ventos que surgiam.

No plano interno, a enorme ojeriza à centralização brasiliense, remanescente do regime militar; e a desconfiança em relação aos quadros políticos que se apossaram do poder, no governo José Sarney.

No plano internacional, estava em pleno vapor a onda liberal inaugurada por Margareth Thatcher e Ronald Reagan.

Em todos os períodos da historia, os movimentos políticos internacionalistas sempre necessitaram do endosso das grandes ondas globais. Foi assim no fim da Monarquia até a Primeira Guerra. E no período pós ditadura, com as eras Collor e FHC.

A onda anti-centralização, anti-mordomia, anti-Brasília, junto com o discurso thatcheriano era tão forte que permitiu a Collor cometer enormes erros, desmanchar políticas públicas bem-sucedidas, montar maracutaias com a privatização, mediante o uso das moedas podres. Mas trazer ganhos na abertura da economia.

Já a legitimação de Fernando Henrique Cardoso decorreu exclusivamente do Plano Real. Qualquer crítica a política implementadas era respondida com a mesma frase padrão: você quer a volta da inflação?

Esse jogo permitiu que os erros de FHC, especialmente com o câmbio, levassem o país à bancarrota logo após as eleições de 1998. Com o apoio decisivo da mídia, saliente-se.

Assim, a legitimação durou um mandato. O segundo foi um governo fantasma.

Ou seja, duas experiências internacionalistas, uma que não durou um mandato sequer, outra que durou apenas um mandato, mesmo tendo o enorme handicap do fim da inflação.

Peça 2 - os fatores de (des)legitimação de Temer
O primeiro fator de deslegitimação é o mais óbvio: Temer é o segundo homem na hierarquia de uma organização criminosa presidida por Eduardo Cunha. Ponto. Seria o mesmo que pretender modernização com um Fulgêncio Batista na Cuba pré-Fidel, um Rafael Trujillo na República Dominicana, um Noriega, no Panamá.

Pode-se conseguir a modernização com um déspota esclarecido. Com um bandido, nunca.

A razão é simples.

· Toda organização criminosa quer roubar.

· Processos de mudança abrem enorme espaço para negócios.

· Subordinando as mudanças ao roubo, perde-se a perspectiva de qualquer projeto estruturante ou legitimador.

Portanto, cortem essa história de que a disputa é entre dois projetos de país: um suposto projeto petista e um suposto projeto liberal da Ponte para o Futuro. É entre a modernidade e o banditismo, que é inerente ao modelo de implementação das medidas previstas na tal Ponte.

Pretender mudanças no ambiente político atual significa abrir o cofre do banco e dispensar a segurança. É o que está sendo feito, aliás.

Peça 3 - os templários do liberalismo
O segundo fator é a visão extremamente tecnocrática e amadora dos templários do liberalismo.

Há uma estratégia para a guerra e outra para a vitória. A guerra permite toda sorte de radicalização do pensamento, a criação de utopias, o pretíssimo no branquíssimo, a exploração da figura do inimigo, como acontece com todos os arautos das guerrilhas ideológicas.

Já o exercício do poder exige discernimento e avaliação correta sobre os limites da realidade, conhecimento das engrenagens políticas, sociais e econômicas de um país complexo, o ritmo de implementação etc.

Por aqui, os liberais lançaram diversos esquadrões armados de slogans e, no poder, não colocaram um maestro com conhecimento da posologia, do ritmo de implementação de mudanças, dos limites, das restrições impostas pela realidade. São os slogans se tornando políticas de Estado.

Desde o Cruzado o país é vítima desses cabeções, que julgam que quanto mais radical, mais virtuosa a política. Só ganham sabedoria depois que são expulsos do poder pelos excessos cometidos.

Em toda essa balbúrdia, nenhum aceno social, nenhuma palavra em direção aos direitos de minorias, nenhuma tentativa de legitimação.

Toda a estratégia é de curtíssimo prazo, de olho exclusivo no mercado e de acordo com a visão dos GPS, 3Gs e o escambau do mercado. Consiste em adquirir um ativo, rentabilizá-lo no curto prazo e passá-lo adiante, ganhando na sua valorização imediata.

Está aí o desastre da Estácio de Sá para comprovar os efeitos do padrão GP de rentabilidade máxima.

Hoje, o ativo é o Brasil.

Peça 4 – a economia em 2018
2018 entrará com o seguinte ritmo:

1. PEC do Teto: não passará do primeiro ano
A menos que se aceite como inócuo o desmantelamento de todos os serviços públicos, a PEC do Teto é inviável. Quando as multidões, abraçadas com prefeitos e governadores, entidades sindicais, associações saírem às ruas exigindo remédios, saúde, educação, segurança, o que o Planalto irá fazer? Colocar na frente do lago o Marcos Lisboa e o Monsueto de Almeida com uma calculadora, para explicar a lógica do plano? Terá as mesmas explicações que o inacreditável Paulo Hartung no Espírito Santo.

2. Os efeitos da lei trabalhista ficarão claros
Uma legislação que precisaria, de fato, ser modernizada, é empurrada goela abaixo, sem garantia de continuidade. O efeito imediato é esse massacre, do qual o caso Estácio de Sá se tornou o exemplo maior.

3. Voo de galinha da economia
Não adianta os comentaristas da Globo celebrarem 0,1% de crescimento como se fosse recuperação. É a mesma coisa que comemorar o fato de ter parado de cair a popularidade de Temer, quando chega próxima de zero. Trata-se apenas de um processo cíclico, que sucede às grandes quedas. A economia continuará amarrada aos enormes passivos do período de crise, a uma política fiscal e monetária pró-cíclica (isto é, que acentua o ciclo de recessão) sem nenhuma alavanca capaz de relançá-la.

4. A humilhação do país nas mãos de uma quadrilha
A cada dia que passa, mais vai caindo a ficha geral de que o país está nas mãos de uma quadrilha. E, agora, uma quadrilha avalizada pelo único candidato do continuísmo com alguma possibilidade, Geraldo Alckmin.

Peça 5 - as eleições de 2018
O golpe foi uma aliança dos seguintes setores:

PSDB-mídia + Judiciário + Ministério Público + evangélicos + quadrilha de Temer-Cunha

O amálgama que junta juízes, procuradores e deputados é o moralismo pré-histórico da ultra-direita, seu discurso contra direitos das minorias, contra o casamento homoafetivo e todos os avanços das modernas democracias.

Não é por outro motivo que, na CPI da JBS, celebrou-se o acordo dos governistas, poupando a Lava Jato das denúncias de Tacla Duran. Foi a constatação óbvia de que a Lava Jato é essencial para a manutenção do continuísmo.

A noite do terror não terá vida longa por várias razões:

A implosão do núcleo do golpe
A construção institucional de um país depende da Constituição e de de um conjunto de leis, de práticas. A institucionalidade impõe limites, não apenas legais, mas de conduta a todos os poderes.

Quando se atravessa o Rubicão, como no caso do impeachment, todo esse edifício rui. Se se pode derrubar uma presidente ao arrepio da Constituição, tudo o mais será permitido. Que o diga o excelso Ministro Luís Roberto Barroso, principal padrinho do estado de exceção e da flexibilização da Constituição.

E aí vira a suruba portuguesa, com procuradores desmoralizando Ministros do STF pelo Twitter, Ministros do STF sendo desmoralizados sem necessidade de ajuda externa, negociatas à luz do dia, na forma de venda de estatais, venda de projetos de lei, venda de proteção, Judiciário colocando adversários em cana (como no caso do ex-governador Garotinho), Conselho Nacional de Justiça (CNJ) punindo juízes legalistas. E cada um tentando puxar a brasa para a sua sardinha e vivendo intensamente como se não houvesse amanhã, não houvesse feios a essa orgia de poderes individuais.

Quando o golpe é conduzido por um poder central - um ditador ou uma corporação, como foi o caso de 64 -, ele se impõe sobre a balbúrdia geral. Quando o golpe é a balbúrdia, se esgota em suas próprias contradições.

O núcleo do impeachment virou de tal modo uma casa da mãe Joana que o presidente quer continuar, o Ministro da Fazenda quer o lugar do presidente, o maior aliado, PSDB, quer lançar candidato, mas não sabe se fica ou se sai, os jornais multiplicam-se em seminários de pouca relevância e alto patrocínio de estatais e, ao mesmo tempo, fingem que criticam o governo, para não se desmoralizar de vez perante os leitores.

Esse é um quadro sintético do que está acontecendo com os vitoriosos do golpe. Completa-se o quadro com a incapacidade de gerar sequer um candidato competitivo para 2018.

A impossibilidade do Estado de Exceção
Se não podem manter o poder pelo voto, manteriam pelo estado de exceção.

No curto prazo, a Lava Jato e o TRF4 dão conta. No médio, não.

A Constituinte de 1988 mostrou o avanço das organizações civis, invisibilizados pela mídia. De repente, como que do nada, surgiram grupos organizados indígenas, negros, de camponeses, de direitos humanos, de quilombolas etc.

Hoje em dia, com o advento das redes sociais, e com o próprio desenvolvimento nacional com as grandes conferências, os grupos de interesse multiplicaram-se. Há organizações de defesa dos deficientes, da Amazônia, dos LBTGs, das mulheres, da educação, da saúde, da assistência social, da ética nas empresas. Cada estado tem seu coletivo, suas organizações próprias, sem contar o sistema tradicional dos sindicatos e associações.

Hoje em dia, mesmo em setores empoderados pela direita - como Polícia Federal e Ministérios Públicos - existem os coletivos democráticos. Mais: todos os movimentos sociais apostam na democracia, esvaziando a tese do golpe preventivo.

Esses avanços, por sua vez, desenvolveram um mercado de opinião publicada – por tal, entenda-se o público classe média midiática -, menos estridente que os MBLs da vida, mas que gradativamente vai se tomando de enjoo com o discurso da indignação vazia e com os preconceitos da ultradireita.

Como já previsto em outros artigos, cada vez mais o primeiro time da imprensa brasileira tenta vestir o figurino do conservador inglês, conservador na economia, liberal nos costumes e discreto no linguajar.

É um movimento lento, que tende inicialmente a poupar o principal aríete da ultra-direita – os abusos da PF e do MPF no padrão Lava Jato -, mas que é irreversível no sentido de combater os excessos radicais.

Tudo isso demonstra uma musculatura e uma vitalidade que torna impossível qualquer veleidade de ditadura de médio ou longo prazo.

A inviabilidade Eleitoral da Ponte
Por outro lado, a Ponte para o Futuro não resiste a um teste de urna. É inviável eleitoralmente.

Não foi o petismo que deu a vitória a Dilma Rousseff em 2014, mas divisão do país entre o anacrônico e o moderno. A cada dia que passa, mais a face do golpe se confunde com as práticas mais anacrônicas.

Ontem, foi a vez do Congresso trazer de volta os manicômios. E há razões para isso. Em outros tempos, os manicômios eram fonte de enriquecimento de diversos coronéis políticos, como o ex-deputado Inocêncio de Oliveira. Sempre foram uma fonte inesgotável para sugar recursos do INSS.

Peça 6 – o fruto da árvore proibida
Com o início da era FHC, o PSDB abriu mão definitivamente das teses modernizantes. Tornou-se um partido rancoroso, sem identificação maior com os avanços sociais e morais. E negociando cada vez mais com lobbies externos, das incursões pioneiras de Pedro Malan no Banco Mundial, e de José Serra com a Nordisk, no episódio rumoroso de licitação de insulina, quando era Ministro da Saúde aos jogos atuais com a lei do petróleo.

Com todos seus defeitos, com todos os erros cometidos, com a falta de visão de Nação, com os erros econômicos da era Dilma, com a leniência da era Lula com mercado e mídia, o PT continua sendo o desaguadouro dos movimentos modernizadores apartidários.

Se num passe da mágica, a Lava Jato, com Temer, PSDB, Gilmar, mídia e a rapa conseguissem eliminar o partido, ainda assim toda essa frente social se manteria unida em torno do partido ou candidato que exprimisse esses valores.

Tudo isso porque deixaram o país provar o fruto da árvore proibida.

Durante algum tempo, o Brasil aprendeu que é possível erradicar a pobreza com políticas bem concebidas, que a redução da pobreza aumenta o mercado interno, produzindo um circulo virtuoso. Aprendeu que é possível desenvolver uma indústria da saúde, avançar na educação, participar dos jogos diplomáticos internacionais, criar uma indústria de defesa, remontar a indústria naval.

Podem destruir enquanto tem tempo.

Mas no fundo da memória nacional já foi plantada a palavra de ordem: nós podemos!

Eleição Sem Lula, Legitimidade em Xeque

Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Foi em outubro passado que a oitava turma do TRF-4 começou a pisar no acelerador para garantir celeridade ao julgamento do recurso de Lula contra a condenação de Sergio Moro, exarada em julho. Duas razões impunham a celeridade, comentavam a boca pequena os interessados no impedimento do ex-presidente. Em outubro, pela primeira vez, uma pesquisa do Ibope apontou Lula com cerca de 35% de preferência na disputa presidencial. Era preciso matar a candidatura antes que ele se tornasse francamente favorita, dificultando politicamente a condenação. Depois, era preciso preservar a legitimidade da eleição, que ficaria comprometida por uma condenação muito próxima da data do pleito ou do registro da candidatura. Gilmar Mendes resumiu tudo isso dizendo que o julgamento em janeiro “traz segurança jurídica”. E assim foi marcada a data da degola.

É voz corrente, também, que o TRF-4 deve condenar Lula com alteração das penas impostas por Moro (não se sabe se para mais ou para menos que os 9,5 anos de prisão). A antecipação, entretanto, não suprime sua principal consequência política. Uma eleição sem Lula será marcada por um déficit de legitimidade, não produzirá a restauração democrática e a estabilização política de que o país precisa, não representará o fim da crise. Seguiremos na dança do impasse.

Afora o logro de uma grande parcela do eleitorado que já fez sua opção pela volta do ex-presidente, haverá também a dificuldade até de explicar ao mundo que uma liderança da magnitude dele foi impedida de concorrer. Sem Lula, quem ganhar carregará o estigma de ter sido favorecido por sua exclusão, num processo jurídico que escancara o casuísmo, o viés político da decisão jurídica, sintonizada com o interesse da grande coalizão que deu o golpe de 2016, impôs ao Brasil uma agenda que não passou pelas urnas e dispõe-se a perpetrar outras violências para evitar o retorno de um governo de centro-esquerda liderado pelo PT.

Sob o governo ilegítimo de Temer, que no golpe prometeu pacificar o país, tivemos a convergência na rejeição a seu governo, aprovado por 3% da população, se tanto. A gritante ilegitimidade esta na raiz de todos os problemas, vem ditando a incipiente reação da economia e o próprio esgarçamento da coalizão golpista, que acaba de inviabilizar a reforma mais cara ao governo, a da Previdência. Não será muito diferente com um presidente que não veio do golpe, como Temer, mas foi eleito num pleito de cartas marcadas, em que uma foi retirada do jogo.

Logo depois de janeiro o PT terá que decidir o que fazer, se Lula for mesmo condenado e inabilitado. Um caminho será insistir na candidatura, recorrendo aos instrumentos jurídicos que lhe restarão, como a busca de uma liminar no TSE ou no STF. Isso poderá, entretanto, comprometer a construção da candidatura alternativa, num pleito em que, apesar do jogo bruto, as forcas progressistas continuam tendo grandes chances de vencer as forças do golpe, que além da rejeição oceânica, não dispõem, hoje, de um candidato competitivo. Como candidato ou como cabo eleitoral, Lula continuará sendo o norte da disputa.

No discurso desta quarta-feira em Brasília ele já adaptou uma frase de seu discurso . Na semana passada afirmou no Espírito Santos. “Eles vão ter que me engolir”. Agora já falou em “nos engolir”. Ou seja, a ele ou a outro candidato das forças progressistas, se este campo conseguir responder corretamente ao novo golpe para burlar a vontade popular. Ciro Gomes, como sempre, errou no timming. Não era hora de sair pedindo a desistência de Lula.

E há também a tese do boicote ao pleito, defendida por alguns petistas, como forma de tornar explícita e mais constrangedora para as elites a exclusão de Lula para evitar sua vitória. Como forma de acentuar a ilegitimidade da eleição com tapetão. Boicotar o pleito, dizem outros, como o ex-governador Tarso Genro, seria uma atitude arrogante que deixaria o partido fora do jogo, abdicando de discutir a grave situação nacional e de apontar o programa de transição para sairmos do labirinto. Estes dilemas complicados agora estão postos não apenas para o PT mas para todas as forças do campo da esquerda.